segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Um ano depois


É verdade... não parece, mas já passou um ano.

Faz hoje um ano que deu entrada na Provedoria de Justiça a queixa dos Arquitectos da CML.

Como o tempo passa depressa... e as respostas tardam em chegar.

Há dois anos atrás apresentámos a primeira queixa. Foi-nos aconselhado a apresentarmos a queixa ao Sr. Presidente da CML e caso não obtivéssemos resposta recorrermos novamente à Provedoria de Justiça. Obedientes, assim fizemos. Não obtivemos qualquer resposta.

Há um ano atrás apresentámos uma nova queixa. Até agora...nada! A Provedoria de Justiça aguarda as explicações da Câmara de Lisboa... mais concretamente, as explicações do seu Departamento Jurídico.

Estranho... tendo em conta que o Departamento Jurídico é uma das partes com interesses directos nas questões colocadas, não se percebe como é que esse Departamento pode ser parte na decisão. Mas, aguardemos a resposta que tarda, e logo veremos se se justifica a intervenção de uma outra Justiça mais justa.

Até lá, continuamos a ser “roubados” e ameaçados pela Ordem dos Arquitectos.

Até lá, continuaremos a ser inibidos do exercício da nossa profissão de forma livre apesar de não recebermos qualquer compensação por isso.

domingo, 30 de janeiro de 2011

É muito feio mentir

Na verdade, mentir é pecado! Mas, para quem não é crente como o nosso Presidente, e não havendo, portanto, pecado, no mínimo, mentir é feio! Muito feio!

Isto vem a propósito da “coluna de opinião” com que o Senhor Presidente nos presenteou na pequena revista intitulada "CMLrevista" que recebemos com o nosso recibo de vencimento (reduzido).

O Sr. Presidente começa por nos dizer que “O ano de 2011 que agora começa vai ficar marcado para a Câmara Municipal de Lisboa e para os que nela trabalham pela reorganização dos serviços municipais.”

Nós tínhamos acreditado na mensagem de Natal, do Sr. Presidente, que nos dizia, simplesmente, “que o ano de 2011 seria o Ano do Fado Património Imaterial da Humanidade”.

Afinal, 2011, além de ser o Ano do Fado... também vai ser o Ano da reorganização dos Serviços...

Mais à frente o Sr. Presidente afirma:

“Ouvimos dirigentes, sindicatos e trabalhadores. Acolhemos opiniões e contributos. Procurámos dissipar receios. Explicámos que esta reorganização irá reduzir os custos directos de funcionamento, mas não colocará em causa quaisquer postos de trabalho no universo municipal.”

Isto é MENTIRA!!!

Na verdade, muito poucos foram os ouvidos. E, pior ainda, os que foram ouvidos, foram pura e simplesmente ignorados! Esta é a VERDADE!!!

Em relação às explicações nem é bom falarmos...

Não ouviram ninguém! Não explicaram nada a ninguém! E... ninguém sabe o que vai acontecer!

Aqui vos deixo, a bela prosa do nosso Presidente, Dr. António Costa.

“0 ano de 2011 que agora começa vai ficar marcado para a Câmara Municipal de Lisboa e para os que nela trabalham pela reorganização dos serviços municipais. 1
Criar uma Câmara com uma actuação integrada numa dimensão territorial e introduzir níveis de eficiência em áreas e funções criticas são princípios que norteiam esta iniciativa que procura também inverter a excessiva verticalização e aproximar a CML dos cidadãos. |
Mais do que operar "simples" mudanças na estrutura, o que se pretende, acima de tudo, é uma Câmara que funcione bem. Ouvimos dirigentes, sindicatos e trabalhadores. Acolhemos opiniões e contributos. Procurámos dissipar receios. Explicámos que esta reorganização irá reduzir os custos directos de funcionamento, mas não colocará em causa quaisquer postos de trabalho no universo municipal. Desse processo resultou a proposta aprovada pelo executivo no passado dia 26 de Novembro.
A desconcentração territorial dos serviços camarários que se preconiza deverá articular-se com a reforma administrativa da cidade. Mas, para termos uma Lisboa moderna é imprescindível que sejamos capazes de derrubar dentro do nosso edifício municipal estruturas verticais muito hierarquizadas, com paredes espessas, que permitem pouca articulação entre si. Esse é um trabalho muito difícil que só vamos conseguir concretizar se o fizermos em conjunto. Todos.”

Ao ler este texto fiquei a perceber porque é que Sr. Presidente nunca respondeu às cartas dos Arquitectos da Câmara Municipal de Lisboa e aos ofícios do Provedor de Justiça:

É por causa das “estruturas verticais muito hierarquizadas, com paredes espessas, que permitem pouca articulação entre si.”... ainda bem que vão ser derrubadas... talvez, depois, o Sr. Presidente nos “consiga” responder.

Nota: Tendo em conta que a maioria dos visitantes e leitores são colegas da Câmara de Lisboa seria bom saber a vossa opinião. Será que o “Arquitecto da CML” está a ver mal esta questão? Será que todos foram consultados menos o “Arquitecto da CML”? Será que todos foram informados menos o “Arquitecto da CML”?
Nós sabemos que os Chefes de Divisão, Directores de Departamento, e Directores Municipais, foram ouvidos! Mas, infelizmente, também sabemos, que foram completamente ignorados!!!
E sabemos isso, porque alguns deles, também são “Arquitectos da CML”!!!

sábado, 29 de janeiro de 2011

A reflexão de fim-de-semana

Uma amigo enviou-me o vídeo. Eu não conhecia nem tinha ouvido falar.

O título é “Puzzle com gente dentro”. Mas, quanto a mim, poderia ser “A gestão da Liberdade” ou “O que é que andamos aqui a fazer?”

Aqui fica a minha proposta de reflexão para este fim-se-semana...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Os nossos dilúvios...


Há muito... muito tempo atrás, escrevi aqui uma história sobre um deserto e um dilúvio. Pensava eu que estava a ser original!

Agora, recebi um e-mail que fala de um outro dilúvio. São coisas diferentes, mas que andam por aí...

Aqui fica o texto do e-mail:

“Um dia, o Senhor chamou Noé que morava em Portugal e disse-lhe:

- Dentro de 6 meses, farei chover ininterruptamente durante 40 dias e 40 noites, até que todo o Portugal esteja coberto pelas águas.
Os maus serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie animal.
Vai e constrói uma arca de madeira.

Chegada a altura, os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram o céu.

Noé chorava, ajoelhado no quintal da sua casa, quando ouviu a voz do Senhor soar furiosa, entre as nuvens:

- Noé! Onde está a arca?

- Perdoe-me, Senhor - suplicou o homem - Fiz o que pude, mas encontrei dificuldades imensas:

Primeiro tentei obter uma licença da Câmara Municipal, mas, além das taxas elevadas para obter o alvará,
pediram-me uma contribuição para a campanha do Partido e para a reeleição do presidente.
Precisando de dinheiro, fui aos bancos mas não consegui empréstimo, mesmo aceitando aquelas taxas de juros... Os Bombeiros exigiram um sistema de prevenção de incêndio, mas consegui contornar a situação,
subornando um funcionário.
Começaram então os problemas com o Instituto Florestal para a extracção da madeira.
Eu disse que eram ordens Suas, mas eles só queriam saber se eu tinha o “Projecto de Reflorestamento”
e um tal “Plano Sectorial”.
Neste meio tempo, a Protecção dos Animais descobriu alguns casais de animais guardados no meu quintal.
Disseram-me que eram espécies protegidas!
Além de pesada multa, fui colocado em prisão preventiva pela posse dos animais.
Valeu-me a pulseira electrónica!
Quando comecei a obra, apareceu a Inspecção do Trabalho!
Multou-me porque eu não tinha um engenheiro naval responsável pela construção.
Fui à Universidade Independente e comprei um diploma de engenheiro!
Fecharam a Universidade e tive de pôr o diploma no papelão!
Veio o Sindicato e exigiu contrato de funcionário público para os carpinteiros.
Em seguida vieram as Finanças! Disseram-me que a arca era um “sinal exterior de riqueza“
e agravaram-me o IRS!
Não tive dinheiro para pagar e colocaram-me a arca sob penhora!
Finalmente, quando a Secretaria de Estado do Ambiente pediu o “Relatório de Impacto Ambiental“
sobre a zona a ser inundada, juntei-lhe o mapa de Portugal.
Enviaram-no para o INAG que só vai apreciar o assunto depois de resolver o problema da
Costa da Caparica!

Noé terminou o relato a chorar.

- Senhor! Que hei-de eu fazer mais?

Notou então que o céu clareava e perguntou:

- Senhor, sempre vais destruir Portugal?

- Não! - Respondeu a Voz entre as nuvens - Já vi que cheguei tarde! Alguém chegou primeiro!”

No e-mail original o “alguém” chamava-se “Sócrates”...

Porque será que, tantos de nós, esperamos e escrevemos sobre dilúvios? Que necessidade é esta de só vermos a solução, de tudo o que está errado, num dilúvio divino?

E, lá no fundo, a história até não acaba mal! Portugal acabou por não ser destruído, pelo dilúvio anunciado...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Quando pensamos que não podia ser pior...


A notícia vem no Público e refere-se ao Edifício que a Câmara de Lisboa construiu em Campo de Ourique para a instalação de um Centro de Dia.

Termina desta forma:

“O edifício foi vandalizado no mês passado (PÚBLICO, 4 de Janeiro) com a quebra das montras, o roubo de extintores e parte das instalações eléctricas arrancada. Dois anos antes, porém, a lavandaria e a cozinha industriais, situadas na cave e completamente equipadas, já tinham sido alvo de roubo e vandalismo.

Hoje, os vidros das janelas e da porta (que dão para o saguão) cobrem o solo e os equipamentos que nunca foram usados, nem roubados devido à sua grande dimensão, estão parcialmente cobertos de ferrugem.”

Vale a pena ler a totalidade da notícia.

Aquilo que se passa com este imóvel é inacreditável! Não só como foi iniciado e construído, mas sobretudo com o que tem acontecido ultimamente.

Apesar do escândalo das notícias na "SIC" e no "Público" tudo continua na mesma. Quando pensamos que não podia ser pior... eis que surgem notícias ainda mais deprimentes.

Quando é que isto vai parar e este assunto vai ser resolvido? QUANDO???

O que estão à espera para encontrar uma solução?

Onde está o inquérito para o apuramento de responsabilidades? ONDE???

Será possível que tudo aquilo que aconteceu não tenha ninguém responsável?

Este é um daqueles casos evidentes, para mim, em que deveria ser investigado todo o processo e os responsáveis políticos pelos danos patrimoniais provocados, deveriam ser responsabilizados e obrigados a indemnizar o município em termos económicos equivalentes ao prejuízo causado.

Será assim tão complicado e difícil? Não! Não é!

Mas, neste País, e com esta gentinha, é impossível!

Afinal, havia outra...


Afinal, havia outra proposta para a reorganização da Cidade de Lisboa.

Santana Lopes defende uma divisão administrativa diferente da acordada entre o seu próprio partido e o PS.

A notícia vem no Público e tem aspectos bem caricatos como a afirmação de Santana Lopes de que “não usamos adesivo na Câmara”. Como Santana Lopes anda enganado... e conhece tão mal a Câmara de Lisboa e o que por lá se passa.
....

Há uns dias atrás, a propósito da reunião publica da Câmara dizia eu que este Executivo não tinha qualquer unidade e coordenação. Cada um puxava para seu lado e salve-se quem puder.

Nesta notícia de hoje constatamos que as coisas não estão melhores lá para os lados do PSD.

Mas, é isto que temos, e é com isto que temos de viver. Um executivo de m...ediocres e uma oposição igual ao executivo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O SIMPLIS, o “Alvará Já” e a “Licença na Hora”



José Sócrates criou o "Simplex" para a simplificação da Administração Pública Central e António Costa, seu sucessor, não podia ficar atrás, e criou o "Simplis" para a simplificação dos procedimentos administrativos e burocráticos na Câmara de Lisboa.

A ideia é boa, necessária, útil, urgente e... dá uma excelente imagem.

Este programa foi extremamente útil para a propaganda eleitoral de António Costa nas últimas eleições. Através dele foi dada a imagem da eficiência e rapidez dos Serviços da Câmara... obra de António Costa! Claro.

Das dezenas de medidas tomadas no âmbito do "SIMPLIS" vou falar de três:

O ALVARÁ JÁ;
A AUTORIZAÇÃO NA HORA e
A LICENÇA NA HORA.

Como vêem, é tudo "JÁ" e "NA HORA". Que bem funcionam os Serviços camarários em Lisboa...

Em 2008, segundo os autores da iniciativa, o objectivo do “Alvará Já” era este:

“Emitir o alvará de licença de obra de estabelecimento de Urbanismo Comercial no dia e local em que for requerido. A medida resulta da eliminação de um conjunto de actos desnecessários que tinham lugar depois do deferimento do pedido de licenciamento de obras.

Resultado previsto:
Diminuição do número de deslocações à Câmara. Melhoria no atendimento, com a prestação de serviços no momento da solicitação."

A avaliação foi esta:

“Medida executada. Foi implementada a 11 de Agosto de 2008, tendo-se verificado, no período de Agosto a Dezembro, a emissão de 50 Alvarás de licença de obras de estabelecimentos de Urbanismo Comercial no dia e local em que foram requeridos.”

Resultados obtidos:

"- Redução de 50% de deslocações à CML quando o pedido tenha sido satisfeito na hora;
- Melhoria no atendimento, com a emissão de 50 Alvarás no momento da solicitação."

Em 2009, segundo os autores da iniciativa, o objectivo do “Alvará Já” era este:

“Alvará Já – Fase II
Alargar a todos os serviços do urbanismo da Câmara do procedimento de emissão imediata de alvarás de licença de obra, depois de deferido o respectivo pedido de licenciamento e regularizadas as taxas devidas. "

A avaliação foi esta:

"Alvará Já – Fase II
Medida implementada a 17 de Março de 2009 com o alargamento a todos os serviços do urbanismo do procedimento de emissão imediata de alvarás de licença de obra.
Em 2009, foram emitidos 348 Alvarás Já (Urbanismo e Urbanismo Comercial) que correspondem a 67% do total de Alvarás emitidos. Com este procedimento obtiveram-se as seguintes reduções:
1. De 8 intervenientes na tramitação do processo para 2;
2. De 25 dias de tempo médio de deferimento dos processos para o deferimento na hora."


Em relação à “Autorização de Utilização na Hora” e á “Licença de Utilização na Hora” os objectivos são idênticos e os resultados são muito próximos do excelente.

Todas as medidas referidas são declaradas como “executadas”!!!

Tudo o que foi escrito aqui, até agora, pode ser confirmado neste link, na barrinha da esquerda onde se desenvolve o programa Simplis ano a ano!

Agora, deixemos a ficção e voltemos à realidade.

Quem quiser tratar de um destes assuntos (Alvará Já e Licenças na Hora) o melhor é ler com atenção aquela folha A4 que foi discretamente colocada junto da entrada do Atendimento da CML no Campo Grande 25 e rezar para que tudo corra bem...



Perante isto, eu não tenho palavras, porque se as tivesse iriam ser muito desagradáveis... de escrever e de ler.

Será que alguém tem alguma coisa a dizer sobre isto?

A Gala de Eusébio


Ao chegar a casa deparei-me com uma gala, na RTP1, de homenagem a Eusébio! Eu não tinha ouvido falar no espectáculo... o senhor fazia 69 anos... uma bonita idade...

Comecei a ver a dita “Gala” e nem queria acreditar... o apresentador era um confesso Sportinguista!!!

Já não há valores!!!

Sendo certo que Eusébio é uma referência do Desporto Nacional, não haveria entre os seis ou sete milhões de Benfiquistas um apresentador para a gala do seu aniversário? Achei uma vergonha e apeteceu-me mudar de canal...

Mas, eis que ia falar António Costa... fiquei para ver. Afinal, o homem ainda é o “meu patrão” e costuma falar muito bem...

A meio do seu belo discurso... faltou a energia...

Paciência!

Eu nem sou do Benfica! Sempre simpatizei com o Sporting.

Desisti... e mudei de canal!

Parabéns a Eusébio pelo seu 69º aniversário!!!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Ser Bipolar


É estranho, mas é esta a sensação com que fiquei ao ler o Editorial do J.A 240 assinado por Manuel Graça Dias: “Será que o homem é bipolar?”

Cerca de um terço do Editorial é dedicado aos Arquitectos Funcionários Públicos. E, verdade seja dita, concordo plenamente com tudo aquilo que Manuel Graça Dias escreve. Eu próprio não queria acreditar: afinal, sempre existe um Arquitecto chamado Manuel Graça Dias!

Infelizmente, muito do que tenho visto escrito pela mesma pessoa é tão diferente disto, que eu passei a chamá-lo de “Manuel Dias sem graça”. Será ignorância minha, com toda a certeza, (pois não sou seguidor assíduo da sua actividade) mas nunca tinha visto uma única linha escrita por Manuel Graça Dias sobre esta temática.

É bom e reconfortante reconhecer neste texto, o verdadeiro Manuel Graça Dias. Aqui vos deixo a parte do Editorial que se refere aos Arquitectos Funcionários Públicos.

“Por outro lado, um mais ou menos popular estereótipo julga conseguir enquadrar a figura do arquitecto a trabalhar para o "Estado"; negando-lhe qualquer hipótese de "liberdade", classifica-o muito depressa: burocrata, miudinho, submisso a "chefes". Nunca tendo "projectado", apareceria sempre mal disposto e recolhido atrás de uma alta pilha de papéis, vigilante de RGEU, provavelmente vingativo, talvez corrupto... O contrário da situação do arquitecto considerado "liberal": o funcionário amarrado a uma rotina, a um horário, a um salário, a uma cadeira, a uma secretária com um montão de processos e clips.

No entanto, existe um enorme potencial de liberdade neste posicionamento, no trabalho de quem, dedicado à causa pública, pudesse estar completamente livre do poder económico, dos marketings imobiliários, das negociatas com terrenos, do tempo dos empreiteiros, dos "estudos de mercado", da cupidez de promotores desobrigados de atender as causas de todos, apenas auto-centrados no lucro ou no prestígio pessoais; e este "arquitecto-funcionário" adquiriria, então, um papel de charneira, na ampla mediação, entre o que pudesse ser a pressão económica e um desenho de todos, para todos.

Brasília é o exemplo maior de um desejo assim; ainda que compreendendo o erro — por excesso de "liberdade" ou escassez de tempo -, a generosidade poética do desenho de Lúcio Costa/Oscar Niemeyer e todos os outros, à época, também, funcionários do Estado brasileiro, procurou cumprir com honradez e nobreza as "funções que lhe foram confiadas". Brasília foi erigida num tempo recorde, com os salários do sector público a bastarem-se enquanto honorários de toda aquela informal estruturação produtiva.

Para este arquitecto-funcionário, tão prestigiantemente representado, encontramos o heróico retrato de certo robinhoodismo, o concentrado objectivo, mesmo, do uso da liberdade.

Infelizmente, é hoje uma desvalorizada variante: tempos que vivemos, décadas de obsessivo consumo mercantil e individual arrasam com um riso quase sempre boçal esse lugar teimoso, só aparentemente quixotesco, onde a independência se poderia manifestar plena.

(Não estariam, no entanto, isentos de outras pressões que lhes fizessem vacilar a independência, os mais devotados funcionários: pressões políticas, do aproximar das eleições, da perversão da busca de mais-valias para a autarquia, dos compadrios partidários.)”


Perante isto, é caso para perguntar: O que fez a Ordem dos Arquitectos para defender e desenvolver o “enorme potencial de liberdade neste posicionamento, no trabalho de quem, dedicado à causa pública” teria “um papel de charneira, na ampla mediação, entre o que pudesse ser a pressão económica e um desenho de todos, para todos.”?

E, por fim, meu caro Manuel Graça Dias, nem imagina como eu próprio me sinto mais uma variante desvalorizada, arrasada por risos quase sempre boçais, que me inibem e proíbem o acesso a uma independência que poderia e deveria ser plena.

O J.A 240 já chegou


O Jornal Arquitectos 240 já chegou e o tema de capa é “SER INDEPENDENTE”.

O colega Manuel Graça Dias teve a gentileza de convidar uma série de Bloggers para escreverem um texto, para este número, subordinado ao tema da capa.

“O Arquitecto da CML” também foi convidado e escreveu um pequeno texto que foi publicado.

Aqui fica o nosso publico agradecimento ao Colega Manuel Graça Dias e a todo o grupo que torna o J.A uma realidade.

Apesar da nossa posição extremamente crítica em relação à revista/jornal J.A e à Ordem dos Arquitectos não deixa de ser de salientar e enaltecer a atitude que o J.A tem tomado, publicando – apesar da sua fraca qualidade - alguns textos deste Blog.

Para quem não tem acesso ao J.A 240, aqui fica o texto publicado.


"ESCREVER SOBRE O QUE NÃO NOS DEIXAM SER"


"O convite chegou no final do Mês de Julho! O colega Manuel Graça Dias, actual Director do JA, desafiava – ou será, provocava? - o “Arquitecto da CML” a escrever um pequeno texto sob o tema “Ser Independente”...

Não deixa de ser caricato... convidar um Arquitecto camarário a escrever sobre “Ser Independente” quando é público e sabido que os Arquitectos camarários estão inibidos de exercer a sua profissão de forma independente.

Mesmo assim decidi responder ao convite/desafio/provocação.

O exercício da profissão, de forma independente, sempre foi uma utopia e o sonho de muitos jovens estudantes de Arquitectura. Hoje, porém, além de ser utopia é também um suicídio. A evolução da organização social e profissional nos últimos trinta anos destruíram completa e definitivamente a possibilidade do exercício da actividade de forma independente.

E os dois principais factos que provocaram esta situação foram:

 A proletarização (a que alguns chamam de massificação) do ensino da Arquitectura, associada a uma diminuição de exigência intelectual e cultural absolutamente inacreditável.

 A evolução do “Estado de Direito”, com a criação de uma quantidade absurda de legislação de baixíssima qualidade e um quadro regulamentar autárquico completamente anárquico e sem sentido.

Estas minhas afirmações podem ser discutíveis e alvo de muitas análises e estudos, porém, mais importante do que isso, seria analisar e estudar a evolução da profissão nos últimos anos, de forma a perceber, porque é que esta profissão chegou ao actual estado de falta de credibilidade e independência.

Seria interessante saber qual a responsabilidade da Ordem dos Arquitectos nesta situação.

Afinal, que Arquitectura queremos? Uma Arquitectura feita por Arquitectos “independentes” e competentes ou uma Arquitectura feita por juristas incompetentes e por interesses económicos, políticos... e pelo “povo” em discussões públicas e abaixo-assinados que mais parecem sufrágios populares?

Eu sou Arquitecto! E sonho... e acredito... e defendo utopias que gostaria de ver realizadas e sei que não são possíveis.

Eu gostaria que os jovens, ao saírem da Faculdade de Arquitectura, fossem pessoas intelectual e culturalmente superiores, preparados para exercer a profissão de forma digna, responsável e competente.

Eu gostaria que a Ordem dos Arquitectos fosse um organismo democrático, responsável, competente e não uma mera organização corporativa, irresponsável e incompetente.

Eu gostaria que a Ordem dos Arquitectos defendesse os verdadeiros interesses da Arquitectura e dos Arquitectos, (incluindo os camarários) e não fosse meramente uma “feira de vaidades” de promoção de interesses privados.

Eu gostaria que todos os projectos de Arquitectura promovidos pela Administração Pública Central e Local, bem como, de todas as Empresas Públicas e Municipais fossem, obrigatoriamente, alvo de concursos públicos independentes e honestos...(risos e gargalhadas...)

Eu gostaria que a Ordem dos Arquitectos participasse de forma pro-activa em toda a produção legislativa a nível Nacional e Local.

Eu gostaria que a Ordem não perseguisse e ameaçasse os Arquitectos que não pagam as quotas, que não são mais do que um imposto profissional injusto e anti-constitucional.

Eu gostaria de viver num País em que as Cidades, Vilas e Aldeias fossem mais bem tratadas, mais belas, mais equilibradas, mais respeitadoras da nossa cultura e do meio ambiente... e pensadas por Arquitectos “independentes” e livres. Sem jugos jurídicos sem sentido, sem organizações corporativas doentias, sem pretensos intelectuais ocos de saber.

Por fim, eu gostaria que a Ordem olhasse e tratasse os Arquitectos camarários com mais dignidade e respeito.

Esta é a opinião e o sentir do “Arquitecto da CML”..."

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Departamento Jurídico da Câmara de Lisboa

Hoje, devido ao acto eleitoral, não tinha intenção de escrever fosse o que fosse.

No entanto, um anónimo decidiu colocar uma série de “adivinhas” no post “A Gebalis e o Departamento Jurídico da Câmara de Lisboa” aqui escrito na passada Sexta-feira.

As “adivinhas” são intrigantes e todos nós gostaríamos de saber a resposta. Como alguém disse há dias: haverá por aí alguma alma caridosa que saiba responder às adivinhas colocadas?

"ADIVINHA n.º 1:
Quem é a advogada, militante do PS e funcionária do quadro da CML (Departamento Jurídico), actualmente muito bem colocada, como administradora de uma instituição associada a esta Câmara, que assinou quase todas as defesas (!) da edilidade em acções intentadas pela EDIFER da Paula Pires Coelho?

ADIVINHA n.º 2
Quem é o advogado, funcionário do quadro da CML, que é sócio de uma grande sociedade de advogados e tem as quotas e a Caixa de Previdência pagas pelo magro orçamento municipal?

ADIVINHA n.º 3
Quem é a empresa que mais litigou com a CML nos últimos 15 anos?

ADIVINHA n.º 4 (e a mais interessante de todas)
Quem é que tramou António Costa, ao ter-lhe proposto o nome da actual Directora do DJ? (bem sabendo o que lhe propunha)"

É por estas e por outras que cada vez se torna mais importante e interessante saber o que se passa e passou neste Departamento Jurídico da Câmara.

Já agora, uma última “adivinha”:

Alguém sabe, quem é que, no Departamento Jurídico da CML, não responde, há vários meses, às questões relacionadas com os Arquitectos da Câmara, colocadas pelo Senhor Provedor de Justiça?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

António Costa, “o Arrumador”


António Costa vai, com toda a certeza, ficar para a História, como o Presidente “Arrumador”!

Primeiro “arrumou a Casa”! Foi o que se viu, ou melhor, o que estamos a ver.

É certo que a Casa ainda não está arrumada, pois a reestruturação global dos Serviços ainda não foi sequer aprovada, mas para António Costa a sua grande obra no primeiro mandato foi mesmo arrumar a casa.

Agora, decidiu também arrumar a Cidade de Lisboa. Uma gigantesca tarefa, urgente e necessária, que ninguém até hoje teve coragem de iniciar.

A reorganização das Freguesias de Lisboa está em curso... vamos ver o que dá. Esperemos que o resultado seja um pouco melhor do que aquele que assistimos na Câmara de Lisboa depois da “arrumação” que fez...

Mas, para já, as coisas estão a começar mal quando vemos que associado à reorganização da Divisão Administrativa vem um pacote de alteração de competências e responsabilidades altamente duvidoso.

O processo vai ser longo e vamos ter mais oportunidades para falar deste assunto e das suas consequências para esta pobre e mal tratada Cidade de Lisboa.

A Gebalis e o Departamento Jurídico da Câmara de Lisboa


O caso dos Administradores da Gebalis, pelos vistos, não é assim tão simples como parecia.

A notícia saiu hoje no Público e afirma:

“No despacho, a que a Lusa teve acesso, o juiz chama a atenção para o facto de não ter sido ordenada uma perícia contabilística e financeira pela autoridade judiciária competente e questiona o trabalho feito pelo departamento jurídico da Câmara de Lisboa”

Mais uma vez, ficámos a saber, que aquilo que se anda a fazer no Departamento Jurídico da Câmara de Lisboa é altamente questionável.

Nós, Arquitectos da Câmara de Lisboa, há mais de dois anos que colocámos em causa o que por lá se passa... ainda estamos à espera de resposta....

Não vamos desistir! E, uma coisa é certa,... vamos saber o que se passa e passou neste Departamento Jurídico da Câmara de Lisboa!!!

Se não houver resposta em Portugal, haverá resposta noutro lugar!

Mas, uma coisa é certa:

Vamos saber porque é que este Departamento não respondeu aos seus superiores internos, bem como, ao Senhor Provedor de Justiça... palavra do “Arquitecto da CML”!

Os tropeções dos nossos dirigentes


Quando “tropeço” nestas notícias é que percebo como os nossos Governantes e Dirigentes estão preocupados com a nossa saúde e bem estar...

O titulo do Público é:


Que bom!!!

O “especialista” – segundo a notícia - Vereador Nunes da Silva afirma:

“Eu e o presidente da câmara tropeçámos numa notícia que dizia que todas as cidades alemãs iam introduzir este conceito”.

Já não nos bastava o que a Alemanha nos está a fazer no campo económico e financeiro... e, ainda temos que levar com os tropeções do Vereador Nunes da Silva e do Sr. Presidente nas notícias alemãs...!

Mas, Nunes da Silva não se cala...:

“Se a inspecção de veículos funcionasse em condições, o problema das emissões de partículas poluentes em excesso nem sequer se punha.”

Mas, afinal de contas, a quem compete a inspecção dos veículos?

Será que o Sr. Vereador Nunes da Silva ainda não percebeu que todos nós pagamos a Inspecção dos nossos veículos?

Como é que é possível, ou aceitável, que este senhor venha afirmar que um serviço público que todos pagamos não funciona em condições e por isso mesmo nos limita o nosso direito de mobilidade em determinada zona da Cidade?

“Em 2011, o autarca espera gastar 7,5 milhões de euros a tapar mais buracos e a pavimentar mais ruas...”

Isto é inacreditável! Ainda há bem pouco tempo, este mesmo “Senhor Dr. especialista” afirmava aos sete ventos que tinha deixado de ser política da Câmara “tapar buracos”...

Coisas que andam por aí...

Não sei onde foi publicado... mas sei, que foi publicado em imensos Blogs. Estou a falar de um texto atribuído a Mário Crespo.

A determinada altura é dito o seguinte:

“Os jornalistas que têm casas da Câmara devem-me o dinheiro das rendas. E os arquitectos também. E os médicos e todos aqueles que deviam pagar rendas e prestações e vivem em casas da Câmara, devem-me dinheiro.”

Estando de acordo com a generalidade do texto e percebendo a intenção... e, sendo Arquitecto... da CML, não consegui perceber o que devo a Mário Crespo!

Por favor... Mário Crespo...diga-me quanto lhe devo!

O meu e-mail está aqui na coluna da direita. Eu sou Arquitecto... da CML... não tinha conhecimento desta dívida... e não gosto de ficar a dever dinheiro a ninguém!

Quanto é que lhe devo?

Eu já pago à Ordem dos Arquitectos... porque é que não lhe pagaria a si?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Reestruturação (adiada) da Câmara de Lisboa


Mais uma vez a reestruturação dos Serviços da Câmara foi hoje debatida na Assembleia Municipal de Lisboa.

Mas, aquelas “comissões” são complicadas... principalmente a do Urbanismo...

Por isso, mais uma vez, a questão ficou para...................1 de Fevereiro!!!

Pelo que percebi, pelas palavras da Senhora Presidente, a Assembleia não está a cumprir a Lei do País ao adiar a aprovação da reestruturação para datas posteriores ao ano de 2010.

Fui ver a Lei...


Na verdade, no seu artigo 19º é escrito o seguinte:

Revisão dos serviços

“As câmaras municipais e as juntas de freguesia promovem a revisão dos seus serviços, em cumprimento do disposto no presente decreto-lei, até 31 de Dezembro de 2010”

A Lei obrigava a que a data limite para a realização da reestruturação fosse 31 de Dezembro de 2010!

Mas, em Lisboa é diferente...

Tudo isto ainda é mais incrível e inacreditável quando sabemos que a Câmara de Lisboa foi contratar especialistas externos a ganhar dezenas de milhares de euros para:


Bom,... é caso para dizer:

Pelo menos, no que diz respeito ao artº 19º da referida Lei, a conformidade não foi assegurada... será que lhe vão descontar na prestação de serviços?

Ainda estou para ver, qual vai ser a coima aplicada aos Senhores Deputados pelo evidente e flagrante incumprimento da Lei.

Ou será que a reestruturação será ilegal por ser aprovada após a data que a Lei obrigava para a sua aprovação?

Nalgumas mentes, que não estarão de acordo com a reestruturação (e são muitas), imagino que já se esteja a pensar numa “providência cautelar”...

António Costa, O Arrumador


Tenho ideia que António Costa fez toda a sua Campanha Eleitoral a gritar que tinha arrumado a casa.

Estarei enganado? Penso que não.

Lembram-se?
.....
Vendo o que vejo, nesta “grande casa”, não é com admiração que vejo as “novas arrumações” do Presidente António Costa.

"A casa estava arrumada e agora ia passar à acção!" – dizia ele.

Passado quase um ano da “casa arrumada” a reestruturação global dos serviços não está sequer aprovada, quanto mais implementada. (Será que vai estar até ao fim do mandato?)

E, como se tudo isto não chegasse... eis que surge esta pérola da “arrumação” de António Costa:



Segundo as notícias dos vários jornais, os dois milhões e meio, foram gastos, essencialmente, em ordenados e obras de adaptação de um edifício na Rua dos Douradores para a instalação da sua Sede.

Agora, por ineficácia da Agência, esta é encerrada definitivamente.

Tudo isto, a ser verdade, é de uma gravidade tal que não dá para perceber porque é que não é investigado.

Os Administradores da Gebalis gastaram 200.000 e vão a Tribunal (e muito bem), e estes “senhores” espatifaram dois milhões e meio de euros e todos assobiam para o lado como se ninguém fosse responsável ou soubesse o que se estava a passar.

Afinal, que arrumação tinha feito António Costa no seu primeiro mandato?
Qual a sua responsabilidade nesta situação?

Tapar o sol com a peneira



“A cumprir-se a data agendada, o caso começará a ser julgado três anos depois de ter sido conhecida a acusação do Ministério Público (MP), que aponta aos ex-administradores Francisco Ribeiro, Mário Peças e Clara Costa a responsabilidade por um prejuízo de cerca de 200 mil euros.”

O caso refere-se aos antigos Administradores da Gebalis que, pelos vistos, e segundo consta, gastaram abusivamente cerca de 200.000 euros. O caso é grave e caso seja verdade e provado devem ser punidos de forma adequada.

Mas esta questão é bem mais complexa...

Como é possível viver e conviver com esta Justiça e com o seu tempo??? Três anos depois de conhecida a acusação??? Incompreensível e inaceitável!!!

Por outro lado, quem pretende o quê com estas notícias?

Será que estão a tentar “tapar o Sol com a Peneira”?

Disfarçar a actuação da actual Administração?
Ou será que estão a tentar desculpar a profunda ineficácia e incompetência reinante?

Uma Empresa que não paga impostos, não cobra IVAs, não cobra rendas... sem objectivos, regras ou orientações políticas... uma Empresa que se sobrepõe a Serviços Municipais existentes... uma Empresa falida tecnicamente que dá milhões de prejuízo! Enfim,... uma Empresa que viu as suas contas bloqueadas pelo Fisco...

Muito sinceramente, o Arquitecto da CML não tem qualquer interesse directo ou indirecto em dizer mal ou criticar a Gebalis. Temos amigos a trabalhar lá. A Empresa tem gente competente e empenhada e nós conhecemos algumas dessas pessoas.

Estas questões e estes problemas, não passam por aí...

O verdadeiro problema passa por estes políticos invertebrados, estúpidos, mentirosos e oportunistas que não sabem o que estão a fazer... que não sabem dar orientações... que não têm qualquer política a não ser o seu interesse pessoal e o dos seus amigos. São estes indivíduos que estão a levar este País, e esta Câmara, a situações que ninguém sabe muito bem, como é que virão a ser resolvidas e ultrapassadas no futuro próximo.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O mesmo de sempre, ou mais do mesmo...


Antes de ontem, o Presidente António Costa afirmou:

“Lisboa pode viver mais um ano sem orçamento?
Pode, mas não é a mesma coisa”


Logo, tendo em conta que Lisboa vai viver com orçamento, podemos concluir, que Lisboa vai ser a mesma coisa... do costume... Ou seja, o mesmo de sempre.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A Sessão Pública da Câmara de Lisboa


A sessão pública da Câmara Municipal de Lisboa, realizada ontem, teve dois aspectos bastante interessantes:

O primeiro:

Na primeira parte da reunião foi deveras interessante ouvir falar da Imprensa a propósito da questão do Centro de Dia da Ferreira Borges em Campo de Ourique.

Afinal de contas tudo o que veio no Jornal Público era mentira e a culpa é do Jornalista Cerejo. Deu para rir à gargalhada...

A culpa é do Jornalista “Cerejo” do Público, e dos Blogs que repetem os seus escritos! O ar de desprezo com que António Costa falou dos Blogs foi impressionante! Não deu para perceber porque é que falaram tanto sobre os blogs que questionam a Câmara... afinal, se são assim tão maus e desprezíveis, porque é que perderam meia hora a falar deles?

Aquele Vereador da Acção Social, Manuel Brito, não lembra a ninguém. Santana aproveitou a situação e de que maneira... brincou e gozou com Manuel Brito e com António Costa até se cansar...

Sinceramente, depois de rir, fiquei a pensar com os meus botões: será esta a atitude correcta? O que teria acontecido nesta situação se isto fosse na Noruega ou na Suécia?

Não! Se fosse na Noruega ou na Suécia não tinham brincado tanto!

Onde está a investigação sobre o que se passou e continua a passar? Onde estão os responsáveis?

Não é aceitável que se construa um edifício daquela dimensão, num local daqueles, sem estudos de viabilidade económica e funcional. Sem prazos e planeamento...

Este é um daqueles casos em que há responsáveis, mas não há justiça! PORQUÊ???

No nosso País, preferimos desvalorizar e brincar com o assunto... que custou e vai continuar a custar centenas de milhares de euros,... sem proveito para ninguém.

O segundo aspecto:

O segundo aspecto bastante interessante foi ver a unidade (ou falta dela) nesta equipe de Vereadores que gere a Câmara de Lisboa. É inacreditável! Só vendo! É indiscritível!

Fiquei sem perceber quem é oposição e quem é governo! Naquela equipe todos jogam ao ataque e não há defesas.

Onde está a coordenação e solidariedade nesta equipe de Vereadores?

Deu para ver que cada um puxa para seu lado e que não há qualquer coordenação ou diálogo e comunicação entre cada um deles... inacreditável... e triste... muito triste.

A Lista Branca


Todos já ouvimos falar das listas negras. Mas, também há listas de outras cores.

Nós esperamos que a lista que a Direcção Municipal de Recursos Humanos (DMRH) da Câmara Municipal de Lisboa anda a fazer – de Arquitectos e Engenheiros – seja uma lista branca com objectivos positivos.

Tivemos conhecimento que a DMRH está a fazer uma lista (ás escondidas e em segredo) de todos os Arquitectos e Engenheiros que praticam actos de Arquitectura e Engenharia ao serviço da Câmara Municipal de Lisboa.

Alguém nos sabe explicar para que é esta lista?

Será que é para nos pagarem as quotas das Ordens que de forma indigna, ilegal e sem vergonha, nos obrigam a pagar?

Ou será para outros objectivos não tão claros, nem tão honestos?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Jornada contínua


Ultimamente, tenho constatado que os serviços de pessoal da CML (DMRH) têm vindo a colocar imensas objecções à concessão da “Jornada Contínua” aos trabalhadores que tinham esse estatuto e àqueles que o pretendem obter.

Não sei a que se deve tal atitude... mas, hoje, fiquei a saber que os Vereadores por sua própria iniciativa, e em inteira liberdade, já têm esse Estatuto.

A sessão pública da Câmara começou às 15.40 h, e terminou praticamente às 21.30 h.

Seis horas seguidas... isto é que é amor à Cidade. Fiquei impressionado com tanto empenho e entrega... é certo, que as questões principais estavam mal preparadas e as decisões foram adiadas para a próxima sexta-feira... mas, mesmo assim, fiquei impressionado com a força, resistência e perseverança dos nossos dirigentes.

Porque será que não querem que os seus funcionários façam o mesmo?

A FRASE DO DIA

Lisboa pode viver mais um ano sem orçamento?

Pode, mas não é a mesma coisa


António Costa no Público

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Novo PDM – Realidade ou propaganda?



Já não me lembrava do texto... deve ser da idade. Mas, hoje, uma visitante de nome “Rita Silva” veio fazer o seguinte “comentário/pergunta”:

“Boa tarde,
gostaria de saber, como arquitectos que trabalham todos os dias com a realidade lisboeta, qual a vossa opinião sobre este tal novo PDM de Lisboa. É que é difícil distinguir entre o que é real e o que é propaganda enganosa no discurso oficial...
Obrigada!”

Fiquei sem saber o que responder...

Consultei seis ou sete colegas sobre o que deveria responder...

A resposta foi mais ou menos unânime: “Diz a verdade. Diz que não sabes nada sobre isso!”

Na verdade, somos nós que trabalhamos todos os dias com o PDM e enfrentamos a realidade. Mas, ninguém quer saber disso para nada...

Não fomos consultados! Não fomos informados! Não sabemos nada que a “Rita Silva” não saiba.

A única coisa que lhe posso adiantar é que a aplicação deste novo PDM vai ficar muito dependente da forma como vai ser implementada a reestruturação dos Serviços, a qual é uma profunda incógnita para todos nós, pois, também nesta área, ninguém foi ouvido ou informado.

Lá mais para o Verão, talvez este novo PDM se torne realidade, e a reestruturação também. Nessa altura talvez estejamos em condições de dizer alguma coisa sobre o assunto.

Mas, entretanto, aconselho-a a não acreditar muito no “discurso oficial”, pois esta gente aposta muito na publicidade e no marketing... basta ver os gastos feitos em ajustes directos nestas áreas.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Parabéns aos Deolinda


Nós escolhemos uma das suas composições para “Hino” deste Blogue.



Parabéns aos Deolinda!

Mais um Projecto de António Costa


O que está a dar são as “omeletes sem ovos” de António Costa.

Segundo a notícia do Público agora é um Centro de Congressos e um Parque Temático.

“O presidente da câmara lançou "um convite à iniciativa privada" para que construa um parque temático e um centro de congressos em Lisboa, garantindo que a autarquia está disponível para ceder terrenos para ambos.”

Tendo em conta o que esta Autarquia tem feito à iniciativa privada, não sei se ria se chore.

Uma coisa é certa: Este homem é um mãos largas... agora até vai “oferecer” terrenos à iniciativa privada para fazer Centros de Congressos e Parques Temáticos...

Será que não há ninguém da sua intimidade que lhe diga para parar um pouco com a demagogia, e sentar-se uns dias à secretária, a tratar dos sérios problemas que a Câmara tem para resolver?

domingo, 9 de janeiro de 2011

A Administração Pública e o Património


Este fim-de-semana decidi fazer uma visitinha ao Palácio do Marquês de Pombal em Oeiras. Fica mesmo em frente da Câmara Municipal.

Um Palácio bonito, com uma bela Capela e uns belos jardins.

Neste momento o Palácio é propriedade da Fundação Calouste Gulbenkian e está cedido ao INA, IP (Instituto Nacional de Administração) o qual dá formação aos quadros da função pública em inúmeras áreas.

O Palácio está razoavelmente bem conservado e é de salientar os painéis de azulejo existentes e os tectos magníficos de algumas salas e quartos.

Gostei do que vi e penso que fiquei a perceber porque é que a Administração Pública deste País trata tão mal o Património que temos.

Foi no fim da visita, quando cheguei à antiga sala de jantar e de jogo. Actualmente é a Biblioteca do Instituto.

Deixo-vos aqui algumas fotos do local para cada um tirar a sua conclusão.

Se é desta forma que o Instituto, que forma os mais altos quadros da Administração Pública, trata o Património, qual a admiração de, mais tarde, nos seus Serviços, estes Quadros Superiores terem atitudes idênticas em relação ao Património que lhes está confiado?












A FRASE DO DIA


“Ao contrário do que se pensa, não são precisos ovos para fazer omeletes”

António Costa

Mais um projecto de António Costa


Chama-se África.cont e já custou 570 mil euros.

António Costa dizia que conseguia fazer omeletes sem ovos, mas o que é verdade a acreditar no texto do Público, é que os ovos já custaram 570 mil euros, ou mais, e omeletes, nem o cheiro delas...

António Costa e as dívidas da Gebalis

Finalmente, julgo que percebi as notícias que apareceram antes do Verão de 2010 sobre a Gebalis.

Na altura, houve uma grande discussão sobre a necessidade da extinção da Empresa.
Helena Roseta, baseada num estudo de viabilidade encomendado a uma entidade externa, conseguiu adiar a discussão. Após o Verão surgiu a decisão da Câmara em manter a Gebalis.(Nós falámos sobre o assunto aqui)

Na altura a viabilização implicava a injecção de não sei quantos milhões de euros. Sinceramente, não percebi bem porquê!

Mas perante as notícias dos últimos dias, (RR, Jornal negócios, TVI24, TSF) julgo que comecei a perceber:

“a Gebalis há vários anos que não paga(va) os impostos a que está obrigada!”

A notícia publicada no Sol dá a dimensão da gravidade da situação: A Gebalis não pagou o IRC nem o IVA e as Finanças caíram-lhe em cima penhorando-lhe as contas bancárias.

Mas, António Costa, decidiu resolver a situação na “praça pública”!

Na verdade, cada vez se torna mais evidente a necessidade de António Costa em demarcar-se de Sócrates e do seu executivo...

António Costa faz afirmações absolutamente incríveis, irresponsáveis e inconscientes nos textos citados das notícias.

António Costa mostra de forma bem evidente a sua face de irresponsável: Não estuda o assunto... não assume o que faz... e foge em frente, afirmando que o problema é político.

Na verdade, o problema é político: O problema passa pela falta de ideias, imaginação, criatividade, honestidade, competência e bom senso.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Coisas boas que a CML oferece aos seus funcionários


O mail foi enviado a todos os funcionários da CML no dia 5.01.11 ás 11.17.

E o assunto era: Convite Exposição "As Áfricas de Pancho Guedes"
“Está a decorrer, até ao dia 8 de Março, no Mercado de Stª Clara, a Exposição “As Áfricas de Pancho Guedes – Colecção Dori e Amâncio Guedes”. Esta Exposição, da iniciativa do Gabinete Lisboa Encruzilhada de Mundos, da Câmara Municipal de Lisboa, está aberta de 3ª feira a Domingo entre as 11h00 e as 19h00, excepto à 5ª feira que encerra às 22h00.
Na próxima 5ª feira, dia 6 de Janeiro, às 18h00, Alexandre Pomar, Comissário da Exposição, fará uma visita guiada pelo que se convidam todos os interessados a estarem presentes. A entrada é gratuita para todos os funcionários da CML perante a apresentação do respectivo cartão.”

São estes convites que fazem com que nos sintamos uns privilegiados...

A CML organiza estes eventos e ainda tem a bondade de nos oferecer a entrada...

Sinceramente, não sei como agradecer.

Apenas um reparo: para a próxima enviem o convite com um pouco mais de antecedência porque eu tenho que organizar a minha vida de forma a que alguém vá buscar os meus filhos à escola...

Coisas boas que a CML oferece aos seus munícipes


Hoje, não resisti em publicar aqui este mail enviado aos funcionários da CML.

"Enviada: terça-feira, 4 de Janeiro de 2011 15:47
Assunto: Projecto Pampero Public Art | Intervenção Saldanha
PAMPERO PUBLIC ART
LEONOR MORAIS E PAULO ARRAIANO
INTERVENÇÃO NO SALDANHA
Com co-direcção artística da Galeria de Arte Urbana (GAU), espaço dedicado pela Câmara Municipal de Lisboa ao graffiti e à street art, os criadores Leonor Morais e Paulo Arraiano realizaram "Mural Lisboa - Saldanha", duas intervenções nas fachadas de edifício sito na Praça Duque de Saldanha, tornejando para a Av. Casal Ribeiro, no âmbito do projecto Pampero Public Art.
Estas obras constituem o terceiro momento expositivo da iniciativa de arte pública promovida pela Pampero Fundación, que visa fomentar uma maior aproximação entre o público e os criadores de forma espontânea, sob uma vertente "site specific", apropriando-se de suportes ainda pouco utilizados na cidade de Lisboa, para trabalhos desta natureza.
A estratégia cultural do Pampero Public Art traduz-se numa aposta em artistas nacionais, como Vanessa Teodoro, Tamara Alves, Smile e José Carvalho no "Mural Lisboa - Stª Apolónia", e Sr. Ricardo num "Outdoor" localizado nas Docas de Alcântara, criações para as quais se obteve a parceria da Administração do Porto de Lisboa. O evento contará ainda com uma peça a executar na Baixa do Porto, nomeadamente na Praça D. Filipa de Lencastre, resultante da co-autoria de Sphiza e Mr. Dheo.
A parceria entre a Pampero Fundación e a GAU, decorre de iniciativas anteriormente organizadas nos painéis da galeria, instalados na Calçada da Glória e no Largo da Oliveirinha, como a Mostra de Arte Urbana 2010 e a exposição "7:00pm Deadly Sins", e enquadra-se numa estratégia para a arte urbana, desenvolvida pelo Departamento de Património Cultural. Neste domínio, dentro do universo do património artístico e cultural da capital, o Município tem orientado a sua actuação para o reconhecimento das expressões plásticas do graffiti e da street art, enquanto discursos criativos com direito a uma co-existência democrática e compatível, no espaço citadino, em relação aos restantes registos da arte pública.
Em 2010, o Departamento foi igualmente parceiro do festival POP UP, dedicado à promoção e mostra das múltiplas expressões e agentes da cultura urbana, em espaços desocupados ou abandonados, dando-lhes nova vida através da arte. Também com o apoio da GAU, concretizaram-se duas fases do projecto CRONO, com intervenções de fachada executadas por reconhecidos criadores estrangeiros como Os Gémeos, Blu, Sam3, Lucy McLauchlan e Erica Il Cane, reunidos na Av. Fontes Pereira de Melo, e na Av. da Liberdade, com a peça dos autores nacionais RAM e MAR. Os trabalhos do ano transacto, concluíram-se com a edição portuguesa do evento Meeting of Styles 2010, no Bairro do Armador, em Chelas, e com a criação "José e Pilar", concebida por Ayer, Nark Nomen e Pariz, num imóvel devoluto junto ao Campo das Cebolas, promovida pela JumpCut e Dedicated Store Lisboa. De salientar ainda, o apoio à investigação e à publicação de monografias dedicadas à temática da arte urbana, já concretizado pela GAU para a edição da obra "Porque Pintamos a Cidade? Uma Abordagem Etnográfica do Graffiti Urbano" da autoria do antropólogo Ricardo Campos."

Sei que haverá muito boa gente que não estará de acordo comigo, mas o “Arquitecto” não é politicamente correcto...

Muito sinceramente, li o texto e fiquei deprimido...

“Estas obras constituem o terceiro momento expositivo da iniciativa de arte pública promovida pela Pampero Fundación, que visa fomentar uma maior aproximação entre o público e os criadores de forma espontânea, sob uma vertente "site specific",...”

Cada um de nós “come a palha” de que gosta... e eu não gosto desta palha!!!

O pretensiosismo intelectual de todo o texto é profundamente doentio e vazio de sentido.

“...o Município tem orientado a sua actuação para o reconhecimento das expressões plásticas do graffiti e da street art, enquanto discursos criativos com direito a uma co-existência democrática e compatível, no espaço citadino, em relação aos restantes registos da arte pública.”

Como Arquitecto e cidadão, admiro várias intervenções ao nível da “street art” e do “grafitti”!

Felizmente, já tive a oportunidade de visitar várias cidades europeias e ver intervenções nesta área, que nunca imaginei vir a ver... mas, isso é outra coisa...






Câmara de Lisboa precisa de um Arquitecto


É estranho, mas é verdade!

A Câmara de Lisboa abriu concurso para 1 (um) Arquitecto.

Conhecendo a Câmara por dentro e sabendo o que por lá se passa e quem lá trabalha é muito estranho que nesta altura tenha sido aberto concurso para um Arquitecto.

Mas, aguardemos... vamos ver quem é o(a) “escolhido(a)”... conhecendo como conheço o Júri (a começar pela Presidente) a coisa promete...

Para quem estiver interessado pode encontrar toda a informação aqui.


Nota: Não deixa de ser interessante que o Júri para a selecção de um Arquitecto seja presidido por uma Engenheira... que triste fado o nosso... há alturas na vida que parece que este mundo está mesmo a funcionar de forma invertida...

Os pareceres da Ordem dos Arquitectos


Li isto no CidadaniaLx e pelos vistos saiu também no Público.


Sinceramente, gostava de saber quem é que encomendou este “Parecer” à Ordem dos Arquitectos.

Desde quando, é que a Ordem dos Arquitectos tem que andar a "opinar" sobre os Projectos licenciados?

Eu, como membro efectivo da Ordem, considero, em absoluto, esta atitude como um evidente abuso de poder. Quem de nós – Membros da Ordem – mandatou estes dirigentes, eleitos por 13% dos Arquitectos inscritos, para andarem a "opinar" sobre Projectos?

Seria de todo conveniente, que os dirigentes da Ordem dos Arquitectos passassem a “opinar” sobre os projectos dos colegas, em seu nome próprio e não em nome da Ordem dos Arquitectos, na qual eu me incluo.




O Projecto de Valsassina e Aires Mateus para o Rato


Este Projecto é um dos exemplos interessantes que vai dar que falar. Vai dar que falar, e mostra bem como os governantes desta Câmara Municipal não souberam conduzir este processo desde o seu início com decisões contraditórias e incompreensíveis.

Já começou a dar que falar e a procissão ainda não saiu para o Adro. Veja o que foi escrito no Público e transcrito no Blog CidadaniaLx.



Ser Assaltado em Lisboa


Quer ser assaltado em Lisboa?


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Um Fado Imaterial e Inacreditável


Há uns dias atrás, fui bastante critico de António Costa a propósito do cartão de Natal que enviou aos funcionários da CML.

Na altura, não tinha conhecimento da entrevista deste “colega” de António Costa, de seu nome, Manuel Maria Carrilho (ex-candidato a Presidente da CML).

É verdadeiramente impressionante como este mundo é pequeno e a incompetência reinante tão grande...

Vejam só este pequeno trecho da entrevista.

"O empenho da Câmara Municipal de Lisboa e do seu presidente, António Costa, no processo da COI contrasta com as «falhas sistemáticas» na candidatura do fado a património imaterial da UNESCO, disse.

«A CML atrasou-se em todos os prazos e a candidatura foi aceite duas semanas fora de prazo apenas devido à abertura da directora do Património da UNESCO, Cécile Duvelle, e depois de os próprios formulários serem refeitos à última hora aqui em Paris», afirmou Manuel Maria Carrilho.

Apesar disso, «o fado correu bem. Há um grande entusiasmo em torno da candidatura e a classificação como património da UNESCO é uma questão apenas formal, de calendário», que deverá concretizar-se em Setembro de 2011, adiantou."

Parabéns Sr. Presidente António Costa!!!

Ainda bem que o Dr. António Costa arrumou a casa! Se não fosse isso, de certeza que a candidatura teria sido um desastre e teria chegado, não com duas mas, com quatro semanas de atraso...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A FRASE DO DIA

"Ainda tenho o pelouro da Acção Social, mas, na prática, desde há muitos meses que ele está nas mãos do senhor presidente", disse Manuel Brito...

Porque não suspendemos a inscrição na Ordem?


Há uns dias atrás um “João” comentava um post deste Blog dizendo:

“Não trabalho em nenhuma câmara, estou desempregado e sem qualquer esperança no futuro. Cheguei à conclusão que ser "arquitecto" é talvez a mais desprestigiada profissão dita "superior" neste país. Digo, com tristeza, que tenho vergonha de ser arquitecto.”

Compreendo-o e dou-lhe alguma razão! Mas, não perca a esperança...

Mais à frente, acrescentava:

“E a minha questão é, portanto, a seguinte: porque razão vocês, arquitectos camarários, pagam as quotas? É obrigatório (segundo o estatuto da ordem) eu sei, mas o que lhes acontece se suspenderem a vossa inscrição na OA? Despedidos não serão de certeza!! Porque não suspendem as vossa inscrições?”

A pergunta é interessante e por isso a transcrevi e vou tentar dar uma resposta possível.

O “João” afirma que “despedidos não serão de certeza!!” Será? Porque tem tanta certeza?

Na verdade, ficaria surpreendido, se soubesse que essa questão do despedimento por esse motivo já foi alvo de discussão em reuniões dos mais altos dirigentes desta Câmara Municipal?

Pois não se surpreenda porque já foi colocada essa hipótese sobre a mesa!

Mas, por outro lado, a questão não é tanto de ser-se despedido ou não. A questão tem mais a ver com o ser-se honesto e vertical. É uma questão de princípio.

Se os Arquitectos camarários suspendessem a sua inscrição na Ordem (e alguns já o fizeram) estavam a entrar na ilegalidade de forma consciente. E, sendo assim, em termos legais, poderiam ser punidos por estarem a praticar actos de Arquitectura de forma ilegal.

Não é isso que queremos ser.

Aquilo que queremos, e se for caso disso, iremos exigir, é o direito que temos a exercer a nossa profissão de forma honesta, livre e em igualdade com todos os outros licenciados da função pública.

Os actuais governantes, os interesses corporativos e a legislação criada, estão a empurrar todos os Arquitectos camarários para a ilegalidade... mas, estou convicto, que durante este ano de 2011 vamos conseguir fazer valer as nossas razões e alterar esta situação de profunda injustiça e de evidente incumprimento da Constituição deste País.

Basta ter ouvido o que o Sr. Presidente da República afirmou, há bem pouco tempo, a propósito da questão das compensações dos funcionários dos Açores, para perceber que temos toda a razão naquilo que estamos a exigir ao poder actual.

Não vamos entrar na ilegalidade!!! Antes pelo contrário... vamos exigir, isso sim, que quem nos governa volte rapidamente à legalidade cumprindo e respeitando a Constituição Portuguesa.